sábado, 2 de abril de 2011

Resumo da Primeira Discussão Sobre Exercícios Resistidos e Hipertensão do UPEF

No ultimo encontro do UPEF, o tema discutido foi a utilização do exercício resistido como adjuvante no tratamento de pacientes com hipertensão arterial sistêmica. Compareceram a reunião os professores de Educação Física Anderson Gregório, Bruna Guedes dos Santos e Lucas Fontanesi.

Três artigos formaram a base da discussão: (senha para download dos arquivos: upefrp )


Resumo:

Introdução:  Em razão das controvérsias existentes na literatura quanto aos possíveis benefícios do treinamento resistido (TR) sobre a pressão arterial de repouso (PA) e por causa da escassez de estudos com indivíduos idosos e hipertensos, o TR é pouco recomendado como forma de tratamento não-farmacológico da hipertensão arterial.

Objetivo: Verificar os efeitos do TR progressivo sobre a pressão arterial de repouso (PA), a freqüência cardíaca (FC) e o duplo produto (DP) em idosas hipertensas controladas.

Métodos: Vinte mulheres idosas (66,8 ± 5,6 anos de idade) sedentárias, controladas com medicação anti-hipertensiva, realizaram 12 semanas de TR, compondo o grupo do treinamento resistido (GTR). Vinte e seis idosas (65,3 ± 3,4 anos de idade) hipertensas controladas não realizaram exercícios físicos durante a pesquisa, constituindo o grupo-controle.

Resultados: Houve redução significativa nos valores de repouso da pressão arterial sistólica (PAS), da pressão arterial média (PAM) e do DP após o TR. Não foram encontradas reduções significativas na pressão arterial diastólica (PAD) e na FC de repouso após o TR em ambos os grupos. A magnitude da queda no GTR foi de 10,5 mmHg, 6,2 mmHg e 2.218,6 mmHg x bpm para a PAS, PAM e o DP, respectivamente.

Conclusão: O TR progressivo reduziu a PAS, PAM e o DP de repouso de idosas hipertensas, controladas com medicação anti-hipertensiva. (Arq Bras Cardiol 2008; 91(5) : 299-305).


Resumo:

Existem evidências de que exercícios resistidos contribuem para o controle de hipertensão arterial sistêmica, porém, são necessários estudos que indiquem a melhor forma de utilizá-los. O objetivo deste estudo foi analisar a influência da ordem de execução de exercícios resistidos na hipotensão pós-exercício em idosos com hipertensão arterial bem controlada. A amostra foi composta por oito idosos com hipertensão arterial sistêmica bem controlada (quatro homens e quatro mulheres). No protocolo 1 (P1) foram realizados inicialmente três exercícios para membros superiores e, posteriormente, três exercícios para membros inferiores. No protocolo 2 (P2) a sequência foi inversa. Já no protocolo 3 (P3) os exercícios foram realizados de forma alternada. Todos os exercícios foram realizados em três séries de 12 RM. Após cada protocolo a pressão arterial (PA) foi verificada em intervalos de 10 minutos, até 60 minutos pós-exercício. Os dados obtidos foram analisados através da ANOVA de fator duplo e fator único com post-hoc de Tukey e teste t de Student pareado com distribuição bicaudal (p < 0,05). Em relação ao repouso, as seis verificações de PA pós-exercício de P1 não apresentaram diferenças significativas; no P2 foram significantemente diferentes apenas as verificações de 20 e 40 minutos na PAS; no P3 foram observadas diferenças significativas em todas as seis verificações da PAS e nas de 10, 20, 30 e 60 minutos da PAD. A verificação de 20 minutos na PAD do P3 demonstrou-se significantemente diferente das de 20 minutos de P1 e P2. Conclui-se que a ordem de realização de exercícios resistidos em idosos com hipertensão arterial bem controlada influenciou na duração da resposta hipotensiva, mas não diretamente em sua magnitude. ( Rev Bras Med Esporte – Vol. 15, No 5 – Set/Out, 2009).


Resumo: 

Fundamento: O exercício resistido tem agora sido recomendado como componente adjunto do exercício aeróbico sobre programa de treinamento físico direcionado para o tratamento e controle da hipertensão arterial sistêmica (HAS). No entanto, não foi amplamente incorporada ainda para a prática clínica, possivelmente pela escassez de evidências disponíveis sobre os limites seguros da resposta aguda da pressão nessa modalidade.

Objetivo: investigar o efeito agudo do exercício de resistência progressiva dos diferentes segmentos corporais, a resposta da pressão dos pacientes com hipertensão controlada (HBP).

Métodos: Vinte e cinco pacientes (14 mulheres) com hipertensão arterial controlada com medicação (64,5 ± 10,8 anos) e sedentários, tinha três visitas a uma sessão de exercício e resistência progressivo a randômica, nos grupos musculares seguinte: quadríceps femoral, latissimus dorsi e bíceps braquial . medições de pressão arterial foram obtidas em todas as visitas em repouso, imediatamente após cada série de exercício e após cinco minutos de recuperação.

Resultados: Imediatamente após o exercício resistido agudo, um aumento significativo na pressão arterial sistólica, sem alterações significativas da pressão diastólica em relação a níveis de pressão em repouso por todos os grupos musculares e para todas as intensidades estudadas. Além disso, houve uma maior tendência para a elevação da pressão sistólica quando o músculo quadríceps femoral foi exercido em alta intensidade.


Conclusão: Os exercícios de resistência em diferentes segmentos corporais promoveram aumentos semelhantes e níveis de segurança de pressão arterial sistólica, embora com uma tendência a maior resposta do que quando grandes grupos musculares com cargas elevadas são exercidos. (Arq Bras Cardiol 2010; 95 (3): 405-411).



Discussão do Grupo: 


Todos os artigos chegam a uma conclusão, o exercício resistido contribui para redução da pressão arterial seja aguda ou cronicamente. Ambos apresentam suas conclusões baseados em estudos com população idosa, com sobrepeso e predominantemente  do sexo feminino.Por se tratar de uma população muito específica, os resultados dos trabalhos fornecem apenas uma pequena gama de informações que nos leva a algumas deduções, por hora com ressalvas. Todavia é importante destacar os fatos de grande relevância detectados nos artigos da discussão, num dos trabalhos os autores indicam um alto índice de aderência ao protocolo de exercícios resistidos, apenas um dos estudos relatou a desistência de 2 participantes. Os protocolos de treinamento utilizados chegaram a 80% de 1RM, carga essa indicada a indivíduos que buscam o aumento de massa muscular, essas cargas mais elevadas auxiliam o idoso em diversas frentes, tais como: auxiliando no tratamento do diabetes, no combate ao sobrepeso e atuando como adjuvante no tratamento da osteopenia. Por conseguinte essas cargas de treinamento também auxiliam no aumento e manutenção da força muscular, muito importante para execução das atividades de vida diária, equilíbrio, etc.




Professor Lucas Fontanesi

Nenhum comentário:

Postar um comentário